1979 - A esquina de nossas vidas


Para começar a falar dessa fotografia, é preciso remontar o cenário daquela época; 

Nas telonas o que fazia sucesso era, a guerra, em Apocalipse Now,  o romance, em A lagoa azul, a superação, em Rock II de Estalone, o belo musical Hair, isso antes dos cinemas começarem a ser vendidos para igrejas Universais da vida.

Na política o último governo militar de Figueiredo iniciava a abertura, dando fim aos eternos partidos, Arena e MDB, o país vivia uma crise econômica e nosso presidente dizia gostar mais do cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. Tempos depois o "diretas já" daria a resposta aos equinos. 

Nós havíamos mudado para tão badalada asa sul, um apartamento enorme em que ao dar um pulo a sala balançava, tamanho era o vão.

No ano de 1979 o point era ficar de bobeira no Gilberto Salomão, literalmente, já que eram raras as vezes que se tinha dinheiro para tomar um chopp no Bierfest, o ritual era passar antes no Bar Bem na 109 sul tomar umas duas batidas para ficar ligado, depois mais duas no Só Cana, e ficar zuando da pequena gang formada por Gila, Gato e César, Edinho as vezes, e Laurinho "Buzanfa" o homem do carro, um Maverick verde, ou um Alfa Romeu, as vezes a velha Kombi. 

Graças a amizade com um porteiro de boate Zoom algumas vezes adentramos naquele mundo de luzes estroboscópias e som alto.

Não foram poucas as vezes que retornei a pé, atravessando a ponte do Gilberto e saindo na 410, naquele tempo o perigo era cruzar com alguma gang local, coisa que nunca aconteceu.

No retorno esfomeados e entontecidos, era parada obrigatória, o Food's na galeria Karin da 110 ou o Good's na 111, onde o sanduíche era uma refeição completa, lembro-me de quase sempre pedir um "Monte Negro", dois hamburguês, ovo, queijo, bacon, alface e tomate, um sanduíche que tinha que ter duas mãos para segura-lo, tempos depois, meu mano Edson me levou para o RJ onde fui apresentado ao tal Big Mac Donald's, que decepção.  

Mas nesse contexto ainda haviam os laços com o passado, o antes da 209 Sul, havia Cruzeiro e antes ainda, SMU, mais especificamente,  sábados no Pandiá e suas discotecas e serestas das sextas-feiras, sem falar nas serestas com cheiro de laquê do clube Previdenciários.

De clube tínhamos o Clube do Exército, cheio de gente metida e babacas, meu pensamento na época, talvez seja o mesmo hoje, kkkk. Tínhamos tbm o Rocha, mais do povão, e o AABRB onde Gula e Hugão eram sócios, que era bem legal. As vezes pintava um Ascade, na 610, para ver um jogo de vôlei ou um som tipo soul cheio de afro descendentes das 400. 

Era rotina a pelada na graminha em frente ao bloco A, e algumas tantas vezes depois de tomarmos algumas no Kuppin ou na Carne de Sol da 409, ficarmos conversando madrugada adentro em baixo do bloco, na companhia de outras figuras, Edmundo, Pedrinho, Paulinho as vezes, e mais alguns da hora, sei que o barulho rendeu uma advertência ao meu pai.

Alguns romances encontraram espaço na 209, o Gato namorou minha irmã mais nova, Edson com a madame "x" uma linda menina por sinal, Laurinho quase sempre com uma nova namorada, mas naquele tempo a Gardênia, que por sinal Edson pegou a irmã dela, eu a prima dela que veio passar umas férias em Bsb, Alba, linda e doce, me ensinou a tomar vodka com abacaxi, bons tempos , ainda fiquei com a Elena, nome fictício, que jogava vôlei, tinha um corpão, mas a cara de um avião B45 na opinião do zoadores de plantão, era uma loira bonita só tinha umas poucas espinhas. A boa vizinhança com seu Noé e Dona Marília levaram Gula o meu irmão mais velho, ao altar,  e aqui, talvez ele ao ler se lamente, mas geraram dois filhos maravilhosos. E os casamentos se sucederam, minha irmãs Bel e Lana, meu outro irmão Hugão e Liliah.

A curva do tempo da família, acredito ter sido o casamento de Miriam e a chegada do 01, Rodrigo, foi um presente para todos, e mesmo "saindo" uma, a casa só fazia crescer, final de semana, casa cheia, futebol as 17h sala lotada em frente a tv, e chegavam, Lana, Bareta e Rosa, Liliah, Cleidinha e a Vó Chiquinha, Vilma e Rafael, e tome fumaça de cigarro e tome jogo de buraco, e café e fofoca e zuada.  

Mas meu pai sempre fez questão de frisar, "esse momento é passageiro", mas foram bons tempos, eu diria tempos de ouro. 

Como diz a música "o novo vem o velho tem que passar, e foi assim e para sempre será"


Ah, a foto... sim, já estava morando em Natal qdo recebi essa lembrança. Deu saudade do tempo que tentávamos windsurfar no lago Paranoá, tudo era motivo para tomar umas e ficar rindo um dos outros. 



 

 

Comentários

  1. O carro do Lauro era um maverick

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  2. Bons tempos... acrescente aí o Pisca (Marco)

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  3. Eita que aprontamos um bocado. O bom era quando retornavamos para o Sitio da mãe do Lauro.

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    1. Verdade e naquele tempo era muito isolado, dava a impressão de ser uma viagem

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  4. Me lembro de quase tudo da Asa Sul!! e ainda tem aquela entre quadra que era um point. Tinha um Bobs se não me engano, não lembro o nome...

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