Gavetas


As memórias tem suas gavetas, algumas bem fechadas outras com brechas de espaço para respirar e perfumar; a que veio nessa manhã foi a de um chapéu de formatura na cabeça de um miúdo projeto; havia uma mescla de orgulho desse primeiro passo e uma tensa preocupação com os outros que viriam. Lembro dele estar um pouco debilitado por uma virose de véspera, lembro de ter ficado a dois passos para um eventual desmaio, porém ele resistiu bravamente e aproveitou o restante da festa.

As memórias ao contrário do feijão que podemos separar as pedras antes de cozinhar, vêem, mesmo desfocadas de outros elementos, são os temperos amargos a serem engolidos pelo tempo.

Hoje o "capelo" da segunda formatura é colocado novamente sobre sua cabeça, representando uma nova etapa de conhecimento na sua vida. Por estar distante, tive que ver a foto da toga via Instagram de alguém, essa lembrança não registrei, digamos que ela é um intermediário entre a que virá daqui a alguns anos.

Deixemos as pequenas pedras  pelos caminhos e sigamos menos debilitados rumo ao futuro sucesso dessa bela pessoa que habita 99,9% do meu coração. 

E o capelo é lançado para o alto na esperança que Deus o toque e abençoe a cabeça do conhecimento.

Levemente fecho a gaveta com os cílios,  passo a chave, guardo na boca a gota salgada que materializou essa memória. 


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