Pioneiros
Descendo o rio Tocantins, esbarrando na Serra do Carmo, o vento encontra um paredão que o esparrama para recente planície desmatada de Palmas. Lado a lado caminham dois irmãos em uma noite escura; entulhada de estrelas, a poeira já foi dormir, mas o calor persiste, sobre as mesas de trabalho, estendemos nossos colchonetes, a porta permanece aberta, e são pelas brechas de claridade que observo as telhas de amianto, o cheiro ainda forte das paredes de madeira.
O silêncio predomina, quebrado poucas vezes, por um piado de coruja ou um uivo de um lobo guará solitário. O corpo cansado não processa o vôo rasante das muriçocas, apenas o estalar de uma fogueira distante, que perfuma, fumaçando levemente o ambiente.
Os comentários são desconectados; o bandejão estava bom, em breve um alojamento, essa tal lei seca...
Os olhos pesam, as palavras vão se calando. Acho que ouvi um boa noite. Em breve os girassóis irão florir.
Foram poucos dias de pioneiro raiz, mas parecem ter saídos de um conto de fada, de uma pintura, um quadro não desenhado.
Valeu irmão por me proporcionar esses momentos.


Esse texto é fantástico, especialmente para quem viveu.
ResponderExcluir