O brilho do coturno
No retorno do feriadão, pós ajudar minha irmã na mudança em Goiânia, ao chegar em casa, meu filho lembra: temos que passar no mercado. Dentre as coisas que estão acabando, estava pasta de dente. A geração dele, não aprendeu a ir dobrando a pasta, apertando até ter mais umas cinco doses para escovação. Daí, você se passa por "pão duro", então explico, que vim de uma família grande, que os primeiros ensinamentos de economia, vieram do meu pai, me dando alguns centavos para engraxar os coturnos do uniforme, que ficava.. impecavelmente brilhantes, além do trato de me dar a metade da diferença da conta da luz do mês passado, o que me fazia ser o guardião dos interruptores.
Pois é, com o tempo vieram outros bicos, vender dindin no SIA, vender o jornal Correio Brasiliense da banquinha, aos domingos no SMU, passear com os cães adestrados, da raça pastor alemão, do Sr. Solano, tínhamos que nos virar para defender o cinema nos finais de semana.
Tudo para alimentar meu porquinho e abrir uma caderneta de poupança na Colméia.
É pai mais os tempos são outros! ele sempre me lembra; que eu só tenho um filho. Pode ser que esteja certo, mas eu continuo apertando a pasta de dente até o final, fazendo torradas com os pães adormecidos, apagando luzes que estão acessas desnecessariamente.
Praticar o minimalismo, dar brilho aos coturnos, é o mesmo que dar brilho a paz que trago comigo.


Indiscutivelmente um grande cronista esse meu irmão. Parabéns Henrique.
ResponderExcluirMuito bom bigas! Realmente a juventude de hoje não se preocupa com estas pequenas coisas. Nós já escovamos os dentes até com bicarbonato, kkkk
ResponderExcluirGeração que acha que temos que dar tudo para eles, que dinheiro dá em árvores
ResponderExcluirTambém falo isto muito aqui em casa, mas os culpados fomos nós mesmo que queríamos que nada faltasse. Criamos uma geração de consumistas que não dão valor ao dinheiro, pois nunca precisaram correr atrás. E o pior só aumenta de geração a geração. Digo que o egoísmo reina.
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