A descida


 Descer o terceiro degrau daquela piscina natural do bosque já era um enorme desafio, naquele momento, a água cobria minha cintura, e eu não saberia se teria outro. 

- Pai, posso descer mais um degrau?, sim filho pode ir; no quarto degrau, fui coberto o peito, ficando a dois palmos do pescoço. Aos 5 ou 6 anos, tudo é relativamente alto, ou profundo, se não tivesse o quinto. E na afirmação de poder descer o próximo, descobri que não havia.

Então como num elevador aquático, submergir, no que pareceu ser uma velocidade sem igual. O silêncio das vozes, rios de águas entrando pelas narinas, chumbo nos pés me puxavam para baixo. A luz do sol ao alto, oscilando, que nem os pensamentos. 

Ali poderia ter acontecido minha primeira e última tragédia, mas, braços me seguraram, e me trouxeram a tona e para a vida novamente. Não sei quem foi o herói ou o anjo, que estava de plantão. 

Sei que recebi um forte abraço de meu pai que aparentava estar um pouco desesperado, acho que pedia perdão, a água ainda turvava a consciência. 

Num período de milagres, esse foi mais um, na nossa grande familia, lá na velha piscina da floresta no Seminário em Juiz de Fora.

Lembranças da infância.

Comentários

  1. E quantas vezes mais quando tudo parece perdido, desejamos que aquele pai que já não está mais em nosso meio venha nos resgatar... então Deus nos envolve em seus braços nos acalmando e dizendo: filho, estou aqui, apenas confia... vai passar

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  2. Chumbo nos pés! É a melhor descrição para quem já passou por uma experiência tão desagradável como esta. Os segundos viram minutos! Eu lembro dessa piscina que ficava dentro de um seminário.

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  3. Nunca passei por isso não, mas acredito que seja horrível! Rsrssrss...

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