A visita

 Frente as suntuosas pilastras arredondadas, tendo a calçada espaçosa que conduz ao blindex da entrada do HFA, poucas coisas mudaram, nesses seis anos passados;

 A desatenção dos funcionários da recepção, a demora dos elevadores, o tradicional aroma hospitalar. 

Chegando ao 10° andar num final de tarde, ainda se pode deslumbrar de uma ampla vista para Octogonal, Sudoeste e a perder de vista Guará e Águas lindas.

O que mudou foi a paciente, mas ao olhar rápido no abrir da porta, quando o vento encanado tenta te barrar, você, por instantes, tem a impressão de ver novamente o mesmo quadro; talvez pelos móveis, as confortáveis camas, talvez a tv ligada, talvez pelas torneiras e mangueiras coloridas na cabeceira da cama na outra parede, ou aquelas persianas sanfonadas de metal baixadas. Mas o olhar rápido, quando para na camisola padrão, e os cabelos esbranquiçados, e a gratidão estampada pela presença, é mover os ponteiros da memória.

O que não muda nunca, é o amor de quem cuida, a filha dedicada, o deslocamento de quem vem de longe para apoiar, os risos que ajudam a passar o tempo. 

A certeza, que dessa vez é só um mero detalhe de recuperação.

Graças a Deus.


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