Paciência e resiliência


Do Alvorada ao HFA, do primeiro ao décimo andar, duas pacientes, os rins e uma prótese no joelho aguardando os resultados das medicações e do tempo. Em comum o Tramal, antibiótico e a dedicação das irmãs que trocaram um pouco o litoral pelo hospital. Mas há outras irmãs, a que vêm de Goiânia aos finais de semana, e a irmã de alma que já foram cunhadas, há a filha e o esposo dedicados, irmãos, tios e amigos que se reservam nas palavras de otimismo e fé.

A paciente, impaciente, mais  nova é um pouco mais falante, tem a grande vantagem de se locomover, ficar sentada e ir ao banheiro. O acesso mais colorido no braço, parece facilitar um pouco mais a rotina. 

A paciente, paciente, tem um acesso mais profundo, os poucos movimentos permitidos são as pontas dos dedos do pé direito. De facilidade somente uma cesta ao lado da cama, que porta o celular para comunicar com o mundo e o terço para no silêncio da noite agradecer a Deus a força, a família e a motivação da melhora.

No hospital mais novo, tudo é mais novo, inclusive a equipe que por vezes coloca uma medicação diferente da etiqueta; assustador! A cama mais parece de criança, não só pelo tamanho, mas pelo espaço. O hospital já teve outro nome, Hospital Ortopédico.

No HFA, a burocracia, necessária na portaria é a mesma que no Alvorada, o que difere é o moralismo das visitas não poderem subir de bermudas, nem de chinelos. As recepcionista do andar, são simpáticas senhoras que secretamente fazem o escambo do açúcar pelo café, as enfermeiras quase sempre são atenciosas, uma única exceção de alguém que já havia dobrado o plantão, mas que depois se redimiu da indelicadeza.

Ambas, sonham com coisas simples ao retornarem ao lar, vozes das crianças pela casa, latido de cachorro, cheiro de café sendo passado, acompanhado de pão com manteiga recém saído da padaria; o travesseiro, o lençol, a vista da janela. 

A rotina que tanto reclamamos no dia a dia, ah como ela faz falta.

Em breve, muito em breve, em casa, revigoradas, com planos de viagens, treinos e maratonas quem sabe?

Em breve, muito em breve, as perguntas da bisneta, o abrir dos olhos do neto lusitano, dando um "prazer em te conhecer minha vó".

É tempo de paciência, de reconciliações, reflexões. 

Tempo de fortalecer corpo e alma.


Comentários

  1. Oh Bigas como voce resume bem em palavras o nosso sentimento. , realmente não é facil esta rotina e como sentimos falta da nossa. Com certeza vamos valorizar muito mas sem esquecer que a ansiedade é nonossa mss o tempo de Deus. Miriam sem palavras

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  2. Para agradecer seu cuidado e esperançosa pelo dia da alta.

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  3. O lusitano é neto. E com fé em Deus vou visita lo.

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  4. O melhor das letras "bigantinas" é a inspiração. Um cronista nutre-se no seu cotidiano e em outras obras que ávidamente devora em seus silêncios, vazios e solidões. Porém ao urdir os textos do seu universo familiar tudo ganha contornos de amor, gratidão, fraternidade, simplicidade e amor ao próximo. Elementos abstratos que fartamente fomos servidos na tramissão sublime dos nossos ancestrais. Em seus textos a muito de Vovó Tarcila, Manoel Cabral, Hugolino D'Oliveira, Rosália Fernandes e, especialmente Kuinha e Jenie.

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  5. Ah Bigas... você tem o dom da palavra, fecho os olhos e vejo a cena perfeitamente. Deus sabe o porquê de tudo, com fé em Deus logo logo tudo isso passa e estaremos tomando um vinho na sala de Bel agradecendo pela vida e pela graça de não precisar de ter convênio e não precisar de atendimento na rede pública. Deus no comando sempre

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  6. Perfeito relato de um cotidiano atípico. Parabéns Henrique.. super super

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  7. Eu acho injusto a paciente impaciente chorar logo no café da manhã rs. Exatamente assim que me sinto, tio. Obrigada pelo acalento em forma de palavras. E vai ficar tudo bem. Em breve vou ir buscar a paciente paciente, para ir passear na beira do lago, tomar um café quentinho e rir de todas as histórias. Te amo!

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  8. Esse meu padrinho é fera demais... acho que uma percepção ímpar... como a paciente impaciente disse... já já estaremos rindo de tudo isso e falando que passou... viva o aprendizado que tudo isso vai nos ensinar... Não vejo a hora de ter minha mamãe em casa novamente!!!!

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  9. Comentar o que depois de um texto tão perfeito, completo e amoroso!?!?!? Henrique, agradeço no que me toca, mas agradeço muito mais suas tardes visitando Bel no HFA momentos em que nos massagea os corações com falas que nos fazem rir e esquecer que estamos dentro de um quarto de hospital. Tenho fé que em breve estaremos sim, reunidos para agradecer a Deus a recuperação dessas meninas mas, principalmente, para agradecer a Bel o testemunho de vida, resiliência, e como vc mesmo colocou a paciência da Paciente. Sim, em breve falaremos como o Tadeu no BBB: Vem aqui pra fora Bel viver novamente o mundo que Deus preparou pra vc dar continuidade. Parabéns Henrique, vc foi muito feliz com esse texto.

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    1. Obrigado Ângela vc tem sido como o próprio nome sugere um anjo para Bel

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  10. Ainda bem que existe um dia após o outro... Linda reflexão! Ainda bem que eu leio agora, que tudo já passou ! S2

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