A volta
Era um dia de semana, não me lembro qual, mas voltavámos debaixo de uma chuva torrencial, deixando para trás estradas esburacadas, lamaçais e inúmeros quebra-molas de diversas formas e tamanhos.
Vencido o Pedregal, pegamos o rumo, saída sul do Gama, onde teríamos que abastecer o valente Chevette 77, bege claro, atualmente, marrom "lameado", cor de sofrência das cargas pesadas.
Naqueles tempos as estradas, boa parte de terra, eram lama nas chuvas e poeira na seca. Podia-se escolher a menos ruim, Km 14 depois da churrascaria "Boi na Brasa", ou pelo Pedregal, via avenida central e os já descritos, inúmeros quebra-molas, ou a do "DVO", faroeste caboclo.
A parada no posto de gasolina, da saída do Gama, serviu para esvaziar a bexiga e comprar cigarros, e como a chuva não dava trégua, ficamos ali em conversas miúdas, e geladas Antárticas.
Por algum triste motivo, tínhamos que retornar a Brasília.
O sol frágil das cinco da tarde, aos poucos rompeu a já fina e fraca chuva, era hora dos pneus lavarem os paralamas do carro no asfalto.
Depois do balão, rumo a BR 070 ainda deu tempo de observar os eucaliptos a esquerda, onde sempre me vem a lembrança do acidente que levou meu padrinho.
Ao final da pista, o retorno, monumento do "Chifrudo", Catetinho, Park Way, e grande reta rumo ao plano.
São tesouros preciosos unicamente vividos, num tempo em que, por estar desempregado, virei seu parceiro, sua sombra.
Sinto falta dele, meu pai, muita falta. Sinto falta de mim, também; daquele, com poucas roupas na mochila, poucos pesos nos ombros, leve no andar, nem tão sóbrio no viver, sem cobranças, sem finanças.
Hoje, vejo o quadro dele na cozinha, dando a impressão de ser visto também, ele ali, eternizado pelo cafézinho dos tempos de caserna, eu de cá, com o café na mão, um pouco mais velho do que ele naquele dia, engraçado isso. Penso, se ele me vê, que imagem de mim, ele faz?
Que pena, o meu filho não ter conhecido, fica tão difícil tentar explicar o tamanho do amor gerado, sem tantos esforços, somente, com lembranças de momentos, assim, que só o tempo transformaria em dourados segundos.


Amor filial transformado em palavras . Historias vividas, lembranças boas, momentos inesquecíveis que voce teve sorte de viver. Eu parti para longe, mas guardo na memoria as boas recordações da chácara, dos perengues da estrada e da grande alegria que ele sentia quando reunia todo mundo no seu reduto de sossego e paz.
ResponderExcluirO homem que representa a minha maior saudade nesta vida,.
ExcluirPlaca BD 9963.
Existem dias que, se fosse possível, um cafezinho na companhia do Kuinha, eu desfrutaria de imensa alegria. Sdds.
ResponderExcluirTeresa
ResponderExcluirAh Bigas, são lembranças que só vocês viveram e que temos a sorte de conhecê-las através de seus relatos. Das tantas idas e vindas do nosso reduto de paz... fico pensando quais as lembranças que estamos deixando para nossos filhos
ResponderExcluirVc pediu para eu fazer as críticas e vou repostar o que te falei no WhatsApp... "Crítica? Só elogios, meu padrinho... suas palavras e descrição fazem a gente passear junto com a leitura... que sorte vc teve de viver essas coisas simples e leve com esse homem de coração lindo que tenho orgulho de chamar de avô...
ResponderExcluirSe ele tiver te vendo, tenho certeza que ele tem mto orgulho de quem vc se tornou! 🥰❤️"
TE AMOOO!!!
ResponderExcluirEsse foi sem dúvida alguma, o relato que mais me trouxe saudades. Como eram bons os nossos fins de semana. Na segunda-feira eu já fazia planos para a sexta-feira. Não via o tempo passar. A vida era mais leve, e as risadas mais constantes. Assim nós fomos fortalecendo os laços de família, e construindo uma história gostosa que gempre vamos guardar em nossa lembrança! Parabéns bigas!
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