Muriú



Essa noite sonhei com a praia de Muriú, eu não tinha tanta certeza, mas sabia que era a casa de tio Nilson,  porém mais simples que a vista pela primeira  vez, e bem mais modesta que a de hoje. 
O mar lambia a areia até a pequena porta, havia uma mureta baixa, onde sentei e fiquei observando seu balançar e suas jangadas atracadas. 
Olhando na direção do quintal, somente coqueiros e areias brancas a perder de vista.
Comparando lugares a pessoas, na mesma proporção, vejo que, o tempo, aliado ao vento, sopra e transforma tudo e nada mais fica como no era antes, mesmo nós distantes, já não somos iguais. 
A velha Muriú e meus primos criancinha, os adultos e suas cachaçadas, o dominó e o gamão. 
Hoje a casa está grande, apartamentos foram erguidos, ocultando um pouco os coqueiros, a praia que corria mansa em sua horizontalidade, foi cavada pelo mar e ganhou uma barreira de pedras e uma escada.
Os que lá frequentam hoje, são filhos dos meus primos, os novos donos, desse pequeno memorial de saudade da minha adolescência, e nem sei bem seus nomes direito. 
Não tem mais meu tio, somente suas histórias, mas ainda tem a alegria de tia Jura e suas poucas memórias.
Acredito que nem a máquina Hollywoodiana conseguiria recriar aqueles momentos, pois com certeza esses meus olhos, mesmo sendo os mesmos, com alguns graus a mais, não conseguiria contemplar o mesmo momento de beleza. 
Certas coisas, somente o nevoeiro dos sonhos, conseguem recriar, mesmo que sem todos os elementos.

Comentários

  1. Ah Bigas, belos dias onde o tempo passava devagar, onde a conversa (e a cachaça) corria solta. Onde podia dormir na rede no alpendre da varanda sem medo de assalto, a casa cheia de risos e brincadeiras... Essa nova geração nem sabem a dimensão do paraíso que herdaram, vivendo em seus mundos virtuais nas telas dos celulares. Fico pensando se após a partida de tia Jura eles não vão se desfazer da casa. E ficando assim só as névoas das lembranças dos que tiveram a sorte de vivê-las

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  2. Esta lembrança só vive em nossas memórias. Faz muitos anos que não vou la, mas sua descrição me fez reviver epocas boas, saudade destes tios queridos que nos recebiam com tanta alegria, mesa farta, frutas frescas do quintal. Muito bom yer vivido yudo isto.

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  3. A Muriú da minha memória é exatamente esta da foto! Tenho as melhores lembranças desse pequeno pedaço do paraíso! Não conheço a Muriú de agora. Acho que não vou lá para eternizar em mim o lugar mais perfeito do mundo!

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