Olha ele ali!
- Onde? Cadê o nosso menino?
- Sentado, parece que digitando alguma coisa no celular.
- Nossa, é mesmo. Nem reconheci direito, cabeça branca, poucos cabelos; rugas que não tinham. Pensei que fosse aquele outro, sentado ao lado.
- Aquele é seu filho, veja como está preocupado! A auréola dele treme e não se mantém constante na mesma cor.
- É o pequeno vascaíno, nossa como cresceu. Ainda lembro o dia que o ajudei na escolha do pai. Foi muito fácil, as luzes deles se atraíram no primeiro contato.
- eu lembro do nosso filho aqui, em 2018, segurando minha mão; lembra? Você segurava minha outra mão, sussurrando no meu ouvido que era hora de cuidar deles em outro plano. Foram... uns dez dias de despedidas.
- eu sei, tive que pedir uma ajuda a seu pai, somente depois dele ter declamado uma linda poesia que vc abriu os olhos para a luz.
- o que será que o traz aqui dessa vez?
- safena
- para o coração?
- não, para evitar trombose. Ou por vaidade, esse menino anda muito cuidadoso com essa casca temporária dele.
- ele ficou mais transparente sem o álcool, eu o vejo preocupado, mas, não com a cirurgia, acho que é com o futuro, aposentadoria no ano que vem.
- todos eles são ansiosos, não percebem o tanto que trabalhamos ocultamente neles.
- é, eles ainda demoram a processar que certas coisas tem que acontecer, mesmo contra a vontade deles. Que a Terra é um porto, onde atracamos com sede e partimos saciados.
- esse ano tem sido trabalhoso, mas veja o exemplo de nossa filha mais velha, acho que certas horas, principalmente a noite, ela ficava com o olhar fixo para o nada em orações e acho que nos via.
- ela tinha a convicção das muitas histórias pela frente, é determinada, e também havia uma grande rede de orações que chegavam a perfumar o quarto. Foram dias lindos.
Nós fizemos uma bela família.
- veja lá vem os guias, com os médicos, acho que vão chamar ele agora.
- vou aproveitar o sono profundo da anestesia, para conversar com ele, tenho muito que falar sobre serenidade, amor e fé. Vejo que ele de vez em quando oscila em suas convicções.
- eu vou ficar ao lado do meu neto, havia muita confusão na minha cabeça quando ele começou a crescer. Como ele é iluminado, muito amor por trás desses olhos azuis; parecem os seus!
- é mas são dele, e ainda tem muito que ver e aprender.
- e se nosso filho escrevesse depois da cirurgia, sobre nossas conversas, poderíamos mandar uns recados!
- não... não se pode quebrar certas barreiras, tudo ao seu tempo, tudo ao seu tempo. A hora é de cuidar.
- basta!
- kkkkk, pensei que tinha parado com esses "bastas" terrenos, não levamos nem os nomes quando subimos!
- basta e basta mesmo! Esse ficou cravado na alma. kkkk


Lindo, Henrique ❤️ volte da anestesista com o coração mais forte! Você está em boa companhia 🙏
ResponderExcluirAi Jesus... certeza que eles estão cuidando de você nesse momento. Vai ficar tudo bem
ResponderExcluirQue viagem!! Eu cheguei a ver a cena!
ResponderExcluirLindo. Fique com eles em oração. Aqui estamos mandando muita energia.
ResponderExcluirTbm cheguei a ver cena, tio Hugolino! 🥰🥰🥰 tbm acredito que estejam cuidado de vc, meu padrinho! Na verdade, cuidando de todos! ❤️❤️❤️
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