A caneta
E chega o Pai; o Pai de todos os pais, e me entrega uma caneta e diz: - vai reescreve novamente sua vida; e eu com as mãos trêmulas, começo a rabiscar a primeira linha, segurando uma teimosa lágrima, que teima em querer manchar o enorme caderno em branco. Na caneta uma palheta de cores, de um azul bebê a um vermelho paixão, do verde da juventude ao amarelo pálido e degradê do ocaso da maturidade. Todas as fontes de letras a minha disposição; mas a mão tremula, ainda a tentar concluir o primeiro rabisco.
Tudo seria possível, o que não viessem em palavras, viraria desenho, até mesmo, se eu dita-se, assumiriam palavras.
Enfim, depois de um longo tempo; de olhar para o velho livro, ao meu lado, já escrito e ver o emaranhado de palavras, e suas intercessões, as inúmeras vírgulas e pontos, porém, ainda não o ponto final.
Agradecido, devolvo a caneta e o caderno com uma única palavra, GRATIDÃO. Pedindo humildemente, para que "Ele" continuasse a escrita das próximas páginas, e que não usasse a borracha em nenhuma das palavras já escritas, mesmo as que com o tempo foram perdendo sua viva cor, desbotando-se com os dias.
Relendo, e relendo mais uma vez, dos garranchos as letras de formas, das minúsculas as maiúsculas, italicas, negritadas e até mesmo as taxadas, tudo ali, tinha que estar, exatamente, escrito como foi.
As próximas páginas, estou otimista, espero que o roteiro seja mais brando, mais doce, e quem sabe, eu possa ler após o ponto final, ou não, que seja zerada para uma nova história.


Showwww
ResponderExcluirGanharia com louvor qualquer concurso literário.
ResponderExcluirAhhhh esse nosso caderno... cada história é especial! E ainda bem que nessa tem vc com esses textos lindos fazendo me emocionar ao acordar!
ResponderExcluirTR AMOOOO!! ❤️
Cada dia melhor!
ResponderExcluirSempre me faz refletir. Emocionada.
ResponderExcluir