Magia da dor


Essa idéia nossa, de se achar um eterno super-herói, de vestir a capa e assumir o controle de tudo, é só uma aparência temporária, que arrastamos no cotidiano. 

Mas em tudo existe um limite humano, magias ficam nos livros. 

Lembro do meu filho criança, ainda nos três ou quatro anos, acamado por uma virose, a enfermeira tinha que colocar a sonda para o soro, mas a veia desaparecia no braço cor de neve. A valentia já havia ido embora, e o pânico se mostrava em pequenos lamentos de: - tá doendo pai! Eu falava: - é só uma formiguinha, e segurava o bracinho dele para acalmar; ao mesmo tempo que queria esganar a enfermeira pelas inúmeras tentativas. 

A magia..., ah se pudesse fazê-la, seria ter naquele momento,  o poder de sentir a dor por ele, e vê-lo sorrir e acabar logo aquelas lágrimas. 

Hoje, ele já um homem feito, mas vez por outra, tenho que passar por isso novamente, é quando a magia acontece, só que de uma forma diferente; deitado na maca para ser atendido, o que vejo é aquela criança, procurando a segurança da minha mão; já não existe mais o pânico, pois já vivemos isso diversas vezes, e sempre saímos bem, e damos graças aos céus.

Mas se ali, já não é a criança na maca; aqui ainda é o mesmo pai, um pouco mais velho, que continua a vestir sua velha capa e dizer, é só uma formiguinha, não vai doer. 

É ter fé, e combater o formigueiro do imaginário, e superar essa dor em nós, que mesmo sem injeção nos faz lacrimejar.

Comentários

  1. Ah Bigas... quanta sensibilidade, filho pode ter 3, 10, 30 anos... sempre será a criança procurando nossa mão. Ontem na jornada pedagógica que participei um palestrante leu um livro onde ele sempre falava: vai passar...

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  2. Lindo e cheio de sensibilidade, como sempre, Bigas. Ainda hoje tenho o mesmo pânico de 20 atrás 😅

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