Acidentes acontecem


 O primeiro contato com carro elétrico, foi há um bom tempo atrás, lá pelo início de 1970. Também foi o início do que viria a ser conhecido como, direção perigosa. O palco era o iluminado parque da Nicolândia. O objetivo era exatamente bater nos demais carros, ou seguir desviando de quem queria te dar uma topada. O mecanismo era simples, pisava numa espécie de acelerador com o pé direito, e o carro andava; detalhe, não tinha freio, quando ficava enganchado, girava-se a direção por completo e era engatado uma ré. 

A diversão era rápida, cinco minutos, e cara também para  aquela época. O medo maior era exatamente, levar um choque da grade eletrocutada do teto, que fazia contato com um haste no carro, provocando faiscas. Para as batidas, os pneus em volta do carro e o sempre folgado cinto protegiam.

Com o correr dos tempos, somos levados a sonhar mais alto e mais rápidos. E o que era diversão, torna-se, sonho de consumo.

E o que era segurança, na inocente infância, com a adolescência, torna-se, perigo constante. Mas tem a mão divina e as sete vidas de gato,  queimadas. Sobrevive-se.

Bem, já adulto, ou melhor dizendo, já idoso, a atenção juntamente com a sobriedade, te torna, supostamente, um motorista melhor. O porém, é que, o que eram ruas com poucos carros e praticamente sem motos, se tornaram um formigueiro, um rio de capotas, luzes e barulho constante.

Então o diabo, inventou motoboy, e o ifood, e o conceito de tempo é dinheiro.

Ano passado, fui com meu filho na rua da Igrejinha, comer um dos melhores cachorro quente de Brasília. Ao ver uma rara vaga na comercial, fiz a curva de uma forma rápida, para estacionar, nisso uma Mobilete, me sai de trás do carro e tenta fazer a ultrapassagem erradamente pela direita. O baque foi inevitável, desci do carro, e educadamente perguntei se motoboy estava bem, ele me pediu desculpas e ficamos a ver se havia algum dano. Da pequena moto, o retrovisor empenado, da Tucson, um leve amassado na porta, quase uma cicatriz. 

O que muda com o tempo, é um certo receio de poder acontecer novamente, e mesmo sabendo que não foi por falta de reflexo da idade, nem por deficiência do carro, nos assusta. 

O que muda é esse amadurecimento de nem pensar em brigar, de se preocupar com a saúde do acidentado. Do exemplo dado ao filho, futuro motorista.

Enfim, seguimos nossos caminhos. 

O motoboy para sua entrega, eu e meu filho para o saboroso hot-dog.

E dou uma risada, ao lembrar que já vivi, há uns vinte anos atrás, a mesma situação, só que daquela vez, fui eu, quem saiu voando de capacete por cima do carro.

Viver é correr riscos. Mesmo num pequeno carro bate-bate.

Comentários

  1. Meu amigo Mário, lá de Minas, comprou uma moto 350cc e arrumou uma encrenca de 1200cc com a esposa. Certo dia ele caiu da cama e bateu com a cabeça no chão. Dois dias depois já não aguentando mais a dor de cabeça, resolveu procurar um médico. Pra resumir: Ele teve que fazer uma cirurgia para retirar um coágulo no cérebro. Hoje ele diz que perigoso não é andar de moto. Perigoso é cair da cama. Ele continua viajando por aí na sua 360cc e está em paz com sua esposa.

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  2. Até hoje tenho medo de levar choque no chão dessas pistas.
    Semana passada quase bati feio no Porto, mas dessa fez, a culpa seria minha 😅😅 fiquei a semana toda com medo, mas passou. Eu olhei e não vi... Agora viva com isso😔
    Linda a fotinha ❤️❤️

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