Porto solidão
Um dia Camões escreveu esse poema:
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena."
Mas haveriam de chegar em um porto e com eles levariam suas solidões.
No porto da partida, a morena tinha o oceano em seus olhos, mesmo com a calma do mar, a carregar segredos do seu coração.
Ela sabia que após a linha do horizonte, o mar, martelava o pequeno veleiro que levava o seu amado.
De terço em mãos ela e suas orações, clamava o sopro das calmarias, a brisa mansa que levaria seus beijos mares adentro.
Rumo ao porto seguro, o amado se via cercado de lembranças e saudades. Sol abrasador durante o dia, noites longas e frias e o perfume imaginários dos lençóis brancos e do corpo da amada.
"Rimas de ventos e velas, vidas que vem e que vai."
A brisa trouxe o beijo, junto com a tromba d'água e ondas gigantes. O beijo doce, foi sua última memória.
No cais, "a solidão que fica e entra", todas as tardes, levavam dos olhos da morena, lágrimas salgadas, que passavam em sua boca, e morriam no mar.
Para minha amiga Karine

Sensacional!!! 👏👏👏
ResponderExcluirBravo! Belíssimo.
ResponderExcluirQue luxo de texto. Uma mescla de poema, prosa e a poesia da música. A Karine deve ter gostado!
ResponderExcluirO primeiro comentário, é dela, esperei sua reação para saber se publicava ou não.
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