Novelas, Br's, buracos do tempo
Escolhi retornar para casa, pelo Parque da Cidade, nesta segunda, estava sem pressa e aproveitei para ver o novo balão que dá acesso para quem vem pela EPIA e cai direto no parque.
Já em casa, defronte a TV, retiro as botas e meio que no automático, esparramo no sofá e ligo a TV. Nesse exato momento, a cena do trem chegando a uma cidade do Interior da Bahia, o personagem desembarca e segue até a jardineira que o levará a Mangue Seco.
A novela é Tieta do Agreste, primeiro capítulo. A trilha sonora de mais de três décadas atrás, sopra as areias da lembrança. Era tempo de chácara, era tempo de vitrola, de fita cassete. Era tempo de parar no Pedregal e já tomar a primeira, e mais tarde, algumas outras no bar do Chiquito, rumo a chácara do meu pai.
Vão pensar que sou saudosista, mas não tem como fugir dessas recordações, foi bom de mais.
Na novela os artistas tem dentes tortos, nem mesmo o galã tem o sorriso esteticamente perfeito. As atrizes, inclusive a Tieta, sem corpos desenhados, sem músculos e peitos bombados, todos com belezas medievais, para os tempos de hoje.
Perpétua continua maldosa, Tieta continua berrando e os homens a desejando.
É novela do tempo, que novela era novela; novela para o povo se divertir, sem querer vender produtos e comportamentos.
Essa novela marcou mudanças, foi a última antes da ida para o Tocantins.
Lá o viver era outro, e longe da sequência Global, começamos a ver Pantanal na TV Manchete. Era quase que como deixar as raízes nordestinas para trás e abraçar a natureza de rios e boiadas, e de canções pantaneiras e goianas.
Então, de início, fica um "vai e vem" pela BR 153; sai sexta a noite, volta domingo a noite, amanhece segunda em Miracema. Uma vez por semana, depois duas, uma vez por mes, depois somente nos feriadões, por último, só nas férias.
E assim veio Ana Rádio e Zé Trovão, e mais algumas outras novelas que pouco a pouco, foram perdendo o brilho.
E sem menos esperar, me dou conta das minhas novas novelas, as que tramamos, as que tramam para gente.
Hoje parece que tudo é série, primeira temporada, segunda...
Não se perde capítulo, nem precisa gravar; tá tudo ali, na nuvem.
E eu que achava que por lá, só tinha anjos.
O epílogo, já chegou para muitos, a reprise taí com a imagem melhorada, sem sombras e fantasmas, mas o atual espectador, busca no Spotify a trilha sonora da novela e sai para caminhar, deixa o passado para lá.


Bons tempos que não voltam mais
ResponderExcluirO tempo atual, no futuro serão lembrados como bons tempos. Há 36 meses pesquiso, entrevisto pessoas e urdi uma história instigando, um misto de amor e dor que, nas 4 primeiras pré-estreias promoveu momentos de profundas emoções. O frio na barriga, o medo da crítica, perceber os erros que só os profissionais enxergam. Tudo isso tem provocado inúmeras reflexões. Dia 17/12 é a vez de Palmas, mas um capítulo dessa novela que, para fins de mercado já está sendo ajustado para uma série documental. É a tecnologia, agora apelidada de IA. Imagina o Chiquito hoje acompanhando uma série de violência urbana e rural?
ResponderExcluirSucesso na sua novela
ExcluirÉ voltar no tempo mesmo. Tambem vi a reprise e as musicas e fiquei mexida. Recordar aquela epoca e depois de ler sua historia repensar o tempo que passou. Obrigado por nos remeter ao nosso interior. Adorei.
ResponderExcluirAcho que a gente deveria ter o direito de passar pelo menos um fim de semana por ano no passado. O único recurso que temos são as lembranças. Que seja essa então, a viagem. Show de texto!
ResponderExcluirGrato Joana, bastaria um único dia, tipo daquele filme IA, para ser um grande presente
ExcluirMe lembro muito da novela Tieta.
ResponderExcluirFoi uma época em que eu frequentei muito a chácara. Lembro da vez que eu imitei a dança de abertura, no salão do Chiquito! Naquela época, as novelas eram tão boas... muito diferente da que são produzidas hoje.
Toda vez que vejo a novela lembro que li seu conto e não comentei! Rsrsrs... mas observo exatamente o que falou aqui! Rsrssrs... mto bom!!!
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