Sexta-feira
A viagem dessa sexta-feira (20/12), começa com a primeira parada no bairro Mangueiral, tendo como destino, outro mangueiral, literalmente.
O quase ansioso companheiro de viagem, já está na portaria aguardando para liberar a entrada do carro no condomínio. O percurso é percorrido, ficou redundante, em duas horas cravadas, com direito a parada obrigatória, no restaurante atrás do único posto da cidade de Palmital, ou "Radiator Springs", como carinhosamente chamamos, devido a semelhança com o posto do desenho animado da Disney, "Carros".
A Br, com sua manutenção em dia, tem sua beleza em vales, subidas e descidas, no movimento diferenciado de caminhões, com seus para-choques personalizados, de frases de estrada, e com supostas gangues de motociclistas e suas jaquetas pretas e motos de alta cilindradas.
Mais a frente, perto da Vincula, próximo ao PAD-DF, vira-se a "esquerda", no sentido exato da palavra; então, o cenário perde todo e qualquer aspecto urbano, o asfalto, manterá o carro na quinta marcha por mais uns trinta km's, rumo a divisa do DF com Minas Gerais.
Olhando pela "janela lateral", lembrando a música, ver-se, um verdadeiro mar de verde com suas tonalidades se alternando, conforme plantações, um verde milharal, outro verde rasteiro de soja, de plantação de cenouras, batatas, beterrabas, e por aí vai.
Em certos momentos a janela 🪟 parece com a imagem do lançamento do "Windows XP".
Então, vem a estrada de chão, vem as poças, vem o barro, mas continuam as surpresas, o trator de rodas altas que daria para passar entre elas, vem os pivôs de irrigações, imensas rodas enfileiradas com uma mangueira, com poder de fazer a chuva acontecer. Vem as rápidas camionetes, e lentas bicicletas contrastando; vem os caminhões com caixas amontoadas, rumo aos depósitos ou quem sabe a Ceasa, ou a Unaí. Com sorte, ainda se vê um avião teco-teco de fertilizantes, dando um rasante e espalhando vapor de fumaça
Na divisa dos Estados, ainda se vê a ponte velha, devido a seca, a nova separa os buracos distritais, dos buracos de "mineirais".
A bifurcação informa, Cabeceira Grande, a esquerda, Palmital a direita; direita nesse caso, com conotação, um pouco mais figurado. E em poucos km's, se vê a placa, sem faixa, de bem-vindos, porém o moderno e igual, monumento ao chão, de todas cidades, "Eu amo Palmital".
A parada, como citada acima, é para comprar a abundante e gostosa marmita.
Mais alguns poucos km's e a entrada do condomínio do Lago. A porteira eletrônica, queimou com um raio da tempestade na noite passada, mas o porteiro é conhecido, o Pato, que vem que nem a música, lá vem o Pato, Pato aqui Pato acolá, é que além de porteiro, também é caseiro e pedreiro e um faz tudo por lá.
A descida é seguida de muitos quebra-molas; do alto, já se enxerga o lago, que mesmo com chuvas constantes, continua querendo voltar a ser, o pacato Rio Preto.
É sexta-feira, quase nada de movimento, abre-se o cadeado, baixa-se a corrente, adentra-se no pequeno paraíso do meu irmão e sua esposa.
A chuva, só aguarda o retirar das malas para deságuar.
Lavado a varanda e aberto as cadeiras, somos agraciados com o sorriso humilde, do mais que querido, vizinho, Sr. Galileu, ele e suas histórias e estórias, mas são muitas e ficam para um próximo relato.
Agora é escutar a sonata dos pássaros, o martelar do Pica-Pau, o cacarejar do casal de tucanos e o vento nas árvores. A chuva engrossa, a tarde cai.
As horas se arrastam, nesse momento de encantamento, nesse pequeno rancho; ainda dá para fotografar, a última foto com o embaçado amarelo do pôr só Sol .
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Acompanhei esta viagem em pensamento. Como gosto desta aventura, de curtir esta estrada. Faltou só o churrasco. Adorei o relato.
ResponderExcluirO dom da escrita, a descrição em detalhes da viagem, até eu, que faço muitas vezes este percurso, me surpreendo com os detalhes captados pelo olhar do nosso escritor mor. Os campos verdes entre o DF e minas e Palmital,
ResponderExcluirContinuando... motivaram a Microsoft a lançar em 1996, a página de apresentação do Windows XP
ResponderExcluirNunca mais as idas para o rancho serão as mesmas.. todo mundo querendo ver o que so Henrique viu com seus olhos. Massa os detalhes que vc descreveu, parabéns pela sensibilidade..
ResponderExcluirEu tbm passei por cada canto em pensamento! Tô com saudades de ir pro rancho... obrigada meu padrinho!
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