Três leituras e uma série,
Hoje assisti ao segundo capítulo da série, Cem Anos de Solidão, muito bom, mas um pouco longe do livro, não que fuja ao enredo, de José Arcádio e Úrsula se casando e partindo para fundar a vila de Macondo, e o nascimento dos sucessivos, Aurélianos e Arcadios Buendias. Tudo num cenário bem trabalhado e bonito.
Mas a magia do livro, que já li umas três vezes, em intervalos de vinte anos, mais ou menos. Essa magia que já estava tatuada na memoria de minha cabeça, dos personagens e cenários, demora um pouco a ser reconstruída, mesmo sendo em Full HD ou 4k.
Rever a chegada dos ciganos com seus enormes imãs, Malaquias e sua alquimia para transformar metais em ouro, a ciência, chegando e fazendo luz na mente de José Arcádio, mesmo, recluso aos experimentos em seu laboratório. É a ciência que planta conhecimento e aprisiona o homem.
Vou degustando capítulo a capítulo, deixando-me levar pelos mesmos olhos dos três leitores anteriores, e na minha atual preguiça literária, de desfrutar da imaginação já montada da série.
Sobre ciganos, sempre me vem a lembrança da primeira vez que os vi, lá pelos anos 70 na 306 norte, em suas tendas montadas, roupas coloridas, dentes de ouro e camionetes estacionadas, lembrando um pouco de circo. Formou-se o conceito, que ainda não foi desmontado por completo, de que eles eram trapaceiros, com suas leituras de mãos, para ver o futuro. Jogando cartas, a do mensageiro, a casa, a cobra, as nuvens...e as que mais assustavam, a do caixão e a da foice.
A bola de cristal da vez, é o celular, ladrão de tempo, e enganador de mentes, com suas previsões de "IA", seus "influencer's", suas iluminadas telas que invertem a alquimia de transformar, o ouro cerebral em ferro enferrujado, de humanos que se repetem, em suas pequenas caixas, e acumulam suas centenas de solidão.
E viva Gabriel Garcia Marques!


E viva você com essa percepção mágica das coisas!!! Eu tô doida pra ver essa série! Será que seria legal reler o livro 20 anos dps? Já que li com uns 20 e poucos anos... rarsrsrsts
ResponderExcluirEu sempre achei os livros melhores que os filmes ou séries. O cenário que montamos enquanto lemos, ou mesmo os personagens que criamos, ficam distantes e perdidos. Concordo contigo. No livro não se cobra o tempo. Na TV, as cenas são resumidas e a imaginação é só do diretor de cena. Ou seja, a TV traz o livro na lata. Assim como o bolo.
ResponderExcluirEstou me organizando para acompanhar a versão audiovisual da magistral obra de Gabriel Garcia Marques. Na terça (17/12/2024) faço o lançamento oficial do Doutor Araguaia e, nessa semana assistir "Ainda estou aqui", de Walter Salles. O cinema de outrora nos levará as Salas de Exibições com toda suas mágias e lirismo. Como esquecer do Cine Rex, em Juiz de Fora, do Cine Cultura, na W3 Sul e, até mesmo do Cinema do Forte Apache no SMU. São experiências inesquecíveis, porém incomparável a dos livros. Nesse aspecto CEM ANOS DE SOLIDÂO é único, temporal e o realismo mágico sempre nos surpreende, assim como a leveza ácida da prosa esplendorosa deste cronista com "C" maísculo que é Henrique Cabral.
ResponderExcluirEu estava ansiosa esperando esta série. Vou começar a assistir hoje. Gosto do jeito macio que vc colocar em suas crônicas. Pense em.explorar após a tão almejada aposentadoria, vc nunca sentira solidão nos próximos 100 anos.
ResponderExcluirJá dizia Alceu Valença, A solidão é fera, a solidão devora
ExcluirÉ amiga das horas, prima-irmã do tempo
E faz nossos relógios caminharem lentos
Causando um descompasso no meu coração