Quinta-feira 13, o lençol
Hoje, treze de março, uma quinta-feira, por pouco, uma sexta-feira 13.
Dizem que sexta 13, é um dia sinistro; dizem que dá azar!
No pátio oval, que fica atrás dos prédios Venâncio, no setor de diversões sul; jazia um corpo, agora coberto por um lençol branco. Horas atrás, alguém realizava insistentemente uma massagem cardíaca para tentar reanimar o cidadão.
Agora, pessoas passavam pensativas ao redor, o local seguia seu destino, de ser caminho entre a rodoviária e o setor comercial.
Do escritório onde eu trabalho, podia se ver a triste cena do lençol com o corpo abaixo, e o carro da polícia ao lado. Especulações surgiam sobre o ocorrido, até que alguém confirmou ter sido, mal súbito.
Haviam os que ficaram pensativos, ao imaginar a possibilidade de ocorrer o mesmo consigo. Constataram naquele momento, a triste realidade de que somos frágeis, e que o que temos, lutamos e trabalhamos, pode, de uma hora para outra, virar pó, e ir para debaixo de um lençol branco a espera de ser colhido e enterrado.
A TV é ligada, o DFTV, nada informa, almoçamos nossas marmitas, ainda desviando pensamentos e olhares para a janela.
13h30 hora de voltar ao expediente, vejo mais uma vez a janela e já não há mais corpo. Assim como uma vela é soprada, tudo é finalizado. Lá vem outras pessoas passando ali, sem nem sequer, imaginar, que ali foi palco de um drama de alguém.
Quem? nem imagino!
16h ao fim do expediente, passo próximo ao local, uma chuva fina, toma proporções maiores e vejo entre gotas do meu boné, a calçada sendo lavada.
Amanhã será sexta-feira, dia 14. A vida segue seu destino, amanhã o deserto Hotel Nacional, despertará mais uma vez para presenciar novas rotinas, de sonhos, amores e mortes.


Muito triste isso... a sensação de finitude, essa hora em algum lugar uma família chora a ausência dessa pessoa.
ResponderExcluirMomentos que nos fazem refletir sobre a nossa finitude, né meu padrinho?!
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