3x4
Nas imagens descoloridas e tremulantes das TVs, assistíamos em preto e branco a cavalaria derrotar os índios, que faziam escalpes nos desbravadores do oeste, ou torciamos para os xerifes acabar com os pistoleiros do mau. Só conhecíamos a maldade pelas telas, vivíamos cercados de fortes apache, e o que mais víamos eram soldados pelas ruas.
Até que começaram aparacer cartazes em nossos caminhos, no hospital, na padaria, sempre com fotografias de pessoas comuns e a palavra, "PROCURA-SE".
Diziam ser terroristas, os que iam na contramão da ordem, e com fotos ampliadas de 3x4, olhavam os meninos passar.
Hoje consigo ver que haviam raposas tomando conta do galinheiro, que os xerifes, obedeciam ordens dos generais e recebiam medalhas, que seus filhos apostavam em partidas de futebol. Deus sabe quantos polegares custaram cada gol em baixo das traves de madeira no campinho de terra da pracinha.
A roleta do tempo, nos traça novos rumos e crescemos em tamanho e em percepções. As "sessões das tardes", ficaram para trás e os livros trouxeram novas verdades.
E na maturidade de nossas vidas, abrimos os olhos para a clareza dos fatos, e percebemos que aquela "aquarela" ficou pálida, e desbotada.
Ontem assisti, um documentário do meu irmão numa sala de cinema em um shopping. Era a história de um desses procurados em 3x4 das paredes. Era um médico, bom filho, bom cidadão, que junto com uma maioria de estudantes da época, disseram não ao reino encantado da ditadura, e foi baleado, apagado e sumido dos dias, virou somente um polegar.
Mas a família não esqueceu, o povo do norte também não, e sua história foi remontada e cantada pelos amigos e parceiros na escrita da mão do meu irmão.
Uma mensagem de que esse tempo jamais pode voltar. Dêem cravos, guardem suas armas.
Obrigado Cabral, muito orgulho de ver seu nome na tela grande dos cinemas pelo Brasil afora.


Obrigado mano. A coragem do João Carlos, a resiliência da irmã, as belezas do Araguaia, a paixão e força pela narrativa cinematográfica, além da urgência de preservar a Democracia foram os principais combustíveis para essa missão construídas por tantas mãos. O cinema independente brasileiro é persistente, assim como o prazer e o dever de contar belas histórias.
ResponderExcluirUm trabalho muito bem feito pelo! Edson Cabral dirigiu de forma muito profissional, esse documentário. E tenho certeza que ele não vai parar por aí. Tem muita gente sendo presas numa outra forma de ditasura
ResponderExcluirHenrique voce se superou. Parabéns.
ResponderExcluirCabral louca para ver este documentário. Boa sorte nesta empreitada e não teho dúvida sera um sucesso total.
Isabel oliveira
Eu amei o documentário tbm, tio Edson! E já tô fazendo propaganda! Assim que tiver liberado, me manda que vou repassar para as pessoas!
ResponderExcluirE meu padrinho, vc sempre mto perfeito nas palavras!!! Foi mto bom ver esse documentário ao seu lado e voltar pra casa refletindo sobre essa fase 3x4!
Obrigada!❤️
Henrique meus parabéns, você sempre a frente colocando no lápis o que falamos tanto e não registramos. Edson, eu sabia que tu era crânio, mas cara, neste documentário você superou as expectativas. Como todos dizem, a democracia precisa ser preservada, é necessário todos lembrarem, ditadura nunca mais. Parabéns novamente por seu trabalho, que eu sei foi bem árduo e longo.
ResponderExcluirAh, que vontade estou de assistir a este filme! É preciso contar as histórias para que elas não se repitam.
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