Bolinhos de chuva

 

A impressão que dá, é que já falei tudo de minha mãe, desde a brabeza esquecida, dos ensinamentos das havaianas, até a iluminada idosa e seu terço, rezando por todos nós.

Mas peneirando cá minhas memórias, ainda dá para sentir o gosto dos bolinhos de chuva da infância, ou as feijoadas dominicais, ou as sopas em dias frios na chácara.

Peneirando mais a fundo, da para ouvir o gemer baixinho das dores na coluna, do espirro matinal quando esfriava, e da forma de terminar uma conversa quando já não havia mais o que falar.

Dizer que teve mel em sua existência, e em abundância, não seria exagero. Tantas e tantas vezes, ela transformou adversidades em pólen, e adoçou ainda mais nossas vidas.

Em sua lenta e silenciosa partida, naquela linha reta no monitor, ainda foi possível escutar um Deus te abençoe.

E ressoa todos os dias, não só no dia das mães, é uma benção infinita, a todos nós.

Sempre te amarei mãe, obrigado.


  

Comentários

  1. Ahhhh que lindo! Que saudade... lembrei das gemadas, cuscuz, bolo de pão... nossa... minha avó foi uma pessoa mtoooooo especial...
    Tem dias que a saudade aperta mesmo... sempre falo que quero ser pelo menos 1/3 do que ela foi pra mim, ser para a Juju! ❤️🥰

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