82 - 2025


 Há quatro décadas e uns caroços de anos atrás, eu embarcava em um ônibus da Viação Planalto, para fechar o triângulo iniciado pelo navio Itatiaia. 

Destino Natal, onde meu pai completaria seu tempo de serviço junto a pátria.

Longe da capital federal, nos esperavam os parentes e também os planos ocultos de Deus, que eram, viver e dar assistência aos últimos dias do avô materno e também da avó paterna. No caminho, ainda iria viver um dos tantos "grandes amores" da minha vida.

Foram aproximadamente, três anos de vivência em família, próximo a tios e primos que pouco conhecíamos, ou nem sequer sabiamos da existência.

Foi tempo de tirar a carteira e conduzir o Chevette bege pelas vias de paralelepípedo de Natal, de fazer a barba do meu avô, de dançar forró com minha vó, o que repeti décadas depois com minha mãe. Foi tempo de concluir, tardiamente o segundo grau, tempo de descobrir que não nasci para litoral, pois morria de saudades do planto central, até rimou.

Mas...foram tempos...


O hoje; o tempo trás meu filho, com a mesma idade dessa travessia. Com a mesma bagunça nas gavetas e acreditem, com algumas canções em comum. 

Hoje ele é o futuro, que nem sequer eu imaginava, que viria a ser dessa forma. 

Ele vivendo a intensidade dos novos amores, ligando a fábrica de planos e investimentos, eu, buscando aprender a viver o que meu pai fez tão bem, dias de aposentadoria.

O tempo, sempre ele...

Esse mesmo tempo, que sempre se repete em cartas embaralhadas, em dados rolados, nesse vasto cassino clandestino e imaginário chamado mundo. 

Talvez lá de cima, alguém diga: Vamos, façam suas apostas a roleta vai girar.

Comentários

  1. E gira essa roleta, hein meu padrinho! Rsrrsrsrs... o que vc não quer que seu filho repita que vc fez e o que quer que ele viva tbm?
    E outra, o que vc quer fazer igual ao vovô na aposentadoria e o que não quer repetir?
    🤣🤣🤣🤣🤣
    Bom diaaaaaa

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  2. Nem sei qual o universo mais distante, o que meu filho vive, ou o que meu pai viveu, Pedro com duas casas e uma "rede", meu pai aposentado com oito filhos, uma esposa e uma penca de netos. Acho que cada um teve ou tem, que trilhar seus erros e acertos, eu tô no meio do caminho, é saudade numa ponta e festa na outra.

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  3. Vai dar certo, sempre dá. Amadurecemos com nossas experiências mas cada um tem que seguir seu caminho. Mais uma vez arrasou no texto.
    Isabel

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