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A casa

  Se fosse uma paciente, nem precisaria ser médico, para diagnosticar como sendo, paciente terminal. Pela aparência externa, via-se manchas escuras, subindo pelas artérias. Calçadas lodosas com buracos não planejados. A fechadura emperrada, deu trabalho para girar, parecia dizer: - vão embora, não quero receber ninguém. No interior, o reboco das paredes coloria-se de um alaranjado e esfarelado tijolo maciço, sujando o chão a cada passada da vassoura. As janelas emperradas, de um sono profundo, como se a artrose tivesse se apossado de seus movimentos, relutava na sua simples função, de abrir e fechar e renovar o ambiente. A mobília sofria com o mofo, e era devorada pelos cupins, e o que havia dentro, pelas traças, quase que invisíveis. O sótão, como sendo a cabeça da casa, estava sobrecarregado de memórias de muitas vidas, de muitos assaltos, de muitos janeiros levados. Notava-se o respirar agonizante de alguém abandonado. Então começou o longo tratamento, e já nas primeiras semanas...

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