Dó maior

 



A quebra da corda, é algo esperado, uma chicotada e o estranho barulho da nota perdida em ecos. Mas o quebrar do punho do violão, o som oco ao tombar no chão, a última nota abafada, num descuido, um acidente, desses de quebrar a alma. 

Vê-lo partido, cordas dobradas, suspensas, imóveis. 

O presente fora do avô, a dedicação de anos no aprendizado, as primeiras tentativas de harmonia, a insistência na repetição das notas, os tantos "perai" e recomeços, até enfim a primeira canção. E não demora a sair mais umas tantas outras.

Seu companheiro de madrugadas, parceiro na pandemia, que acolheu algumas lágrimas de amores perdidos, das incertezas na adolescência, mas que também, povoaram o quarto com notas das bandas de rock, e outras baladas que fizeram brilhar corações distantes.  Agora ali no chão, a olhar para ele... e agora...? nossas canções...? as notas...o dó maior? 

No outro dia, levanta, recolhe as partes, me mostra e fala: fiquei triste, mas é vida que segue, toma um banho, arruma a mochila e vai viajar, curtir o aniversário da prima em Goiânia.

Esse é meu filho, um homem formado, em amplos aspectos.

Sai assoviando, notas ao vento, compondo novas músicas, estrada a fora. 




Comentários

  1. O tempo não para... que venha um novo violão e novas histórias

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  2. Bigas Cabral, meu cronista contemporâneo preferido. Texto primoroso urdido e entrelaçados por tênues cordas musicais que unem a alma ao coração. São violas de buriti, violões, guitarras e charangos a aliviar as tensões do dia-a-dia nesse cotidiano intergeracional de estudantes. Vida que segue.

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  3. É isso aí... bora seguir e lembrar de tudo que vivemos! 🥰🥰🥰

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  4. Muito triste! Uma nota de pesar.
    Mas tem Solução; uma galeria na W3 sul e na Casa do Maestro, se não me falha a memória. Lá (outra nota) , no Conic. Eles consertam o violão do Pedro! Fica perto da Fenafisco

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  5. Pensa numa geração desapegada. Tem um tanto de positivo e outro tanto de negativo, mas sempre é bom seguir em frente! se não carregar peso, melhor ainda!

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